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2013, o ano dos movimentos sociais...

Final de ano, tempo de fazer um balanço dos acontecimentos importantes que marcaram a nossa vida pessoal e coletiva, como cidadãos brasileiros, como membros de uma Igreja que caminha e sofre com a história da humanidade. E 2013 entra para a história pelas muitas manifestações, gritos nas ruas, nos meios de comunicação do BRASIL, do mundo. Gritos dos movimentos sociais que aguardam ser ouvidos, atendidos, entendidos... As jornadas de junho não terminaram. O mal-estar das ruas menos ainda...

Após décadas de silêncio desde as Diretas Já e Fora Collor, os jovens brasileiros vestiram o verde amarelo e saíram às ruas no histórico mês de junho de 2013, manifestando uma insatisfação geral pela corrupção, impunidade, gastos públicos de péssima qualidade, tarifa alta dos meios de locomoção... O grito das ruas continua ecoando nos ouvidos de todos e mostrando aos dirigentes que mudanças estruturais precisam ser feitas na forma de gerir os recursos do país. A cada desmando a força da internet pode colocar nas ruas milhões de pessoas, independente de partidos políticos, sindicatos, religião...

Em junho, parecia mesmo que a primavera havia surgido mais cedo no Brasil! Foram mais de cinco milhões de jovens de todas as tribos, raças, ideologias, idades, que saíram as ruas de centenas de cidades brasileiras, num grande acordar do gigante adormecido, numa imensa primavera que acendeu e iluminou o grande coração brasileiro. Nem a chuva, o frio, o radicalismo de alguns grupos depredatórios, conseguiu empalidecer essa grande utopia de um mundo novo que está mudando o nosso país. Ou será que os Black bloc conseguiram emudecer os movimentos...

Em julho a Jornada Mundial da Juventude que reuniu no Rio a maior concentração de turistas em uma única cidade brasileira em toda a história do Brasil: 3,7 milhões de pessoas reunidas na orla de Copacabana; 60 mil voluntários. Não há como medir o número de pessoas que se fizeram presentes via meios de comunicação, mas a repercussão dos eventos na mídia nacional e mundial mostrou um novo Brasil para o mundo.

A Jornada como um todo, apontou uma grande perspectiva de mudança: mudança pessoal, pela experiência vivida por cada peregrino presente e pelos participantes via TV, internet, rádio; mudança social, no embalo das manifestações brasileiras; mas principalmente mudança na Igreja, pelas palavras e pelos gestos de Francisco, ecoados no entusiasmo e na alegria da multidão de jovens peregrinos. “eu também vim [à Jornada] para ser confirmado pelo entusiasmo da fé de vocês. (...) Para que a minha fé não seja triste, eu vim aqui para me contagiar com o entusiasmo de vocês”.

A cidade símbolo do Brasil, Rio de Janeiro, já acostumada a ver grandes conglomerados de pessoas reunidas pacificamente para manifestar contra as injustiças sociais, contra os desgovernos de alguns políticos, foi colocada a prova por uma multidão de jovens (de todas as idades) que mostrou a sua força de manifestação e de organização, atraída e congregada por um objetivo comum. Apesar da chuva, do frio, das filas, do caos no transporte e de todos os transtornos, o espírito coletivo foi mais forte e permitiu uma reunião gigantesca de pessoas sem nenhuma tragédia ou violência.

O Brasil, o mundo foi contagiado pelo entusiasmo, pela fé, pela esperança destes jovens que saem às ruas pedindo um mundo novo. São os jovens que estão liderando as manifestações no mundo inteiro. “São jovens que querem ser protagonistas da mudança."

Essa “nova primavera” protagonizada pelos jovens é uma “utopia” positiva e possível. Não podemos ficar alheios e fechar os ouvidos a voz que vem das ruas. Essa lição valiosa que os jovens estão dando em todo o mundo não pode ser descartada. Neste tempo de Natal deixemo-nos contagiar por esse entusiasmo, alegria, fé, esperança e juntos construamos esse mundo novo, um 2014 com respostas concretas aos anseios das ruas.

Maria Joana Titton Calderari
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