REDES SOCIAIS
BUSCA DE NOTÍCIAS
Carregando
ARTIGOS
Trabalho! PROCURA-SE!!!

“Enquanto você viver, você dela (terra) se alimentará com fadiga. (...). Você comerá o pão com o suor do seu rosto, até que volte para a terra, pois dela foi tirado. Você é pó, e ao pó voltará”. Gen.3.17-19

A pretensão de ser como Deus, de conhecer o bem e o mal, de ser autossuficiente fez com que Adão e Eva se rebelassem contra o projeto de Deus que é viver a vida e com liberdade para todos, num clima de fraternidade e partilha. Ao buscar a liberdade e vida só para si mesmo, os primeiros seres humanos descobriram o mal, a escravidão e a morte. As relações de fraternidade transformam-se em relações de poder e opressão; as relações de partilha transformam-se em exploração, dominação e esta produz riqueza de poucos e pobreza de muitos. As relações entre os seres humanos entre si e com a natureza ficam cada vez mais distorcidas, quebradas. O homem passa a ser o lobo do homem, seu irmão. A regra passa ser a lei do mais forte buscando levar vantagem... sempre...

Do relato bíblico da criação aos dias de hoje vemos o mal acentuar-se a tal ponto que nossos noticiários são uma sucessão de desgraças transmitidas em tempo real. No Brasil e no mundo, seres humanos lutando para sobreviver, “comendo o pão que o diabo amassou” como diz o ditado popular, a violência desenfreada fazendo com que as pessoas se fechem nos seus muros, e a fraternidade fique mais distante do coração e da realidade cotidiana.

Como celebrar o dia do trabalho no Brasil, com 13,5 milhões de desempregados, com a economia fraca, sem forças para superar a recessão político-econômica e voltar a crescer, gerar empregos, dar condições para as pessoas sobreviverem com dignidade? Como celebrar o trabalho neste momento de tantas incertezas e constatações da podridão que ronda o poder? Após três anos de revelações da Lava a jato vemos estarrecidos, o deserto ético da política brasileira, com todos os partidos envolvidos nas negociatas da corrupção generalizada, caixa dois em tudo, propinas milionárias para liberar contratos de obras públicas e medidas provisórias, para patrocinar interesses pessoais, enriquecimento ilícito a custa do massacre ao povo brasileiro.

Mas o dia do trabalho não é dia de festa. Ele nasceu para lembrar o massacre dos trabalhadores, acontecido em Chicago em 1886. Papa Pio XII em 1955 instituiu a festa de São Jose Operário, modelo ideal de trabalhador, que sustentou sua família com o trabalho das próprias mãos. Essa escolha mostra que a igreja está do lado dos fracos e injustiçados. A humildade de São José, padroeiro dos trabalhadores, nos remete a tantos trabalhadores humildes, sem vez nem voz que estão sendo afetados por toda essa conjuntura social e política brasileira.

Papa Francisco nos lembra sempre que teto, terra e trabalho são direitos inalienáveis de todo e qualquer ser humano. Ele dá exemplo vivo de igreja que acolhe o refugiado, que vai ao encontro dos que sofrem, mesmo pondo sua vida em perigo como no Egito, no final de abril, no encontro com líderes muçulmanos pela Paz.

Com São José celebramos a vida de milhões de trabalhadores do mundo e levantamos uma voz para defendê-los, atendendo aos princípios do respeito, da justiça, da igualdade e da paz, valores irrenunciáveis do ser humano. Vamos buscar juntos o melhor para o nosso povo. Que as reformas sejam discutidas com o povo, que os cortes comecem de cima, cortando os privilégios dos que estão no poder e se sentem acima da lei, que a transparência e a justiça sejam a regra, que não haja “foros privilegiados” para ninguém. O Brasil está numa encruzilhada decisiva dessa travessia RUMO A UM NOVO PAÍS. A casa não era limpa desde 21 de abril de 1500... A primeira água sai muito suja.... Vamos pôr o dedo em nossa consciência. Os políticos que aí estão foram eleitos pelo nosso voto. Está em nossas mãos a mudança. Que Deus nos ilumine!

Maria Joana Titton Calderari – graduada Letras UFPR, especialização Filosofia-FECILCAM e Ensino Religioso-PUC

Maria Joana Titton Calderari - majocalderari@yahoo.com.br
1 2 3 4 5 PRÓXIMO
DIREITOS RESERVADOS - DIOCESE DE CAMPO MOURÃO - 2012
DESENVOLVIDO POR: